O Zine Brasil, entrevista: Estevão Ribeiro.

 

Oi gente! Estou muito feliz com o apoio de vocês, seus comentários, tanto aqui, como no flog do Zine Brasil, tem sido de uma importância muito grande para mim, pois é através deles que tenho a inspiração necessária, e acima de tudo o incentivo necessário para continuar lutando por um futuro promissor para os Quadrinhos Nacionais. Espero continuar sempre contando com vocês, e caso queiram fazer alguma colaboração, imagens, ilustrações pessoais, o que você achar necessário pode escrever para meu e-mail, michellerbarbosa@ig.com.br vou adorar bater um papo legal com vocês. E hoje como o titulo já diz, o Zine Brasil está entrevistando mais um artista nacional, seu nome é Estevão Ribeiro, criador do Herói brasileiro conhecido como Tristão. Roteirista de histórias em quadrinhos, editor da revista: Bem +Que Tiras, onde alguns artistas brasileiros escrevem uma história de três a cinco paginas com seus personagens que antes só saiam em Tiras, criador da Oficina de Hq, onde trabalhava junto com Amaury Ploteixa, desenhista da maioria das imagens aqui expostas. Com vocês Estevão Ribeiro.     

 

Estevão Ribeiro: Um Artista de Futuro

Personagem Tristão

Zine Brasil: Oi! Tudo beleza?

Estevão Ribeiro: Olá!Tudo ok.

ZB: Está pronto pra começar?

Estevão: Manda bala.

ZB: Quem é Estevão Ribeiro?

Estevão: Eu sou roteirista de histórias em quadrinhos, mas faço alguns trabalhos na área de ilustração e colorização. Nasci e fui criado em Vitória-ES, onde saí poucas vezes. Não conheço nada do meu estado e muito menos sobre o meu país. Isso me faz escrever algo mais regional, sobre as minhas rotinas.

Estevão Ribeiro: oficinahq@hotmail.com

ZB: Quando você começou a gostar de Hqs?

Estevão: Comecei graças aos meus irmãos, que eram fãs de super-heróis, além de Tex. Eu ganhava muitas revistas deles, mas aos poucos me enjoava delas. Aos 9 anos eu comecei a andar pelos bairros vizinhos, passando pelas casas de amigos atrás de alguém para trocar revistas.

ZB: Quando veio o desejo de escrever suas próprias histórias?

Estevão: Isso foi aos treze anos, quando mudei para Serra, um município que compõe a Grande Vitória. Eu conheci um cara que gostava de quadrinhos chamado Jackson e começamos a criar personagens sem se preocupar com a história, como todos os iniciantes. Depois, comecei a visitar os jornais do Estado para conhecer os desenhistas, chargistas, procurando um modo de "publicar" aquele material.Então, o chargista PATER, do jornal A Tribuna me indicou ao Departamento de Artes da Universidade Federal do Espírito Santo, onde eu conheci Didico, um professor que me mostrou uma galera que queria fazer quadrinhos. Eu entrei no embalo dessa galera, todos do ensino médio numa universidade assistindo aulas de arte.Uma curiosidade: O Pater, que me incentivou a procurar o professor Didico na UFES, agora é meu colega de trabalho. Hoje eu sou infografista no jornal A Tribuna e fico na mesma sala que ele. E o Didico será o meu professor de artes, pois passei na UFES em Artes Visuais.

ZB: Que legal, é tipo volta ao inicio só que em grande estilo.

Estevão: De fato. E agora, a gente pode analisar o que fez de errado e melhorar. Esse é o mandamento do ano.

 

ZB: Beleza. Como foi a criação do herói Tristão?

Estevão: Tristão veio de forma engraçada. Eu tentei criar um personagem bem parecido com o Homem-Aranha, mas com garras e jaqueta. Pode parecer ridículo, mas muitos nomes e modelos de uniformes que eu fazia pareciam previsões sobre o que apareceria.

 Criei o shakma, que antes se chamava "Shadow Hunter", mas tive que mudar por causa de um personagem de Rob Liefield.Mudei o personagem um bocado de vezes, até que eu vi em meu amigo Jackson, que já havia passado daquela "fase infantil" de quadrinhos e estava mergulhado no rock um estereotipo perfeito: magrelo cabelo no rosto e uma jaqueta.Do Shakma, só aproveitei a máscara branca, que coloquei uma lágrima, que sempre gostei de ver no Pierrot, da Comédia del'Arte. O nome foi tirado do romance de Tristão e Isolda, obviamente. Curiosidade: Pouco sei sobre a Comédia del'Arte quanto à história de Tristão e Isolda.

ZB: (Risos), legal e no lugar das garras você colocou uma espada nas mãos do herói.

Estevão: Sim. Era uma tendência da época. Samurais, o próprio Wolverine usava uma espada... Não dava para resistir.

ZB: É verdade. Qual foi a primeira historia lançada do Tristão?

Estevão: A primeira história foi publicada em 5 de maio de 2000, no jornal Notícia Agora, de forma inédita no estado: Uma página diária. A história de oito paginas mostrava a primeira aparição do personagem no traço enferrujado e Amauri Ploteixa, antigo parceiro, que havia parado de desenhar a dois anos, para se dedicar à faculdade de matemática. A história lhe foi entregue para desenhar uma semana antes de primeira página sair e ele se desesperou. Eu particularmente achei o resultado bárbaro para aquele momento, mas ele me surpreenderia muito mais depois. Infelizmente, a história foi perdida, assim como outras duas numa formatação do computador de um dos associados nos trabalhos dos jornais. Só consegui salvar essa.

Pagina da história, Titulo: Bom apetite.

ZB: Mas que pena, e falando nisso, o que houve com o Amauri e a Oficina de Hqs?

Estevão: O Amauri trabalha hoje com ilustração (graças a Deus), mas trabalhamos em caminhos diferentes. Mas ele abandonou de vez aquele lance de matemática. A Oficina de Hqs foi construída de forma caótica, onde eu comecei pelo final. Quero fazer o meu curso de Artes Visuais, agregar a minha experiência com o conhecimento que pretendo adquiri no curso e assim voltar à Oficina de Hqs.

ZB: Além desse que você citou, quais seus outros projetos com relação aos quadrinhos?

Estevão: Um bocado de projetos parados!Bem + Que Tiras 2, Bem + Que Tiras é uma revista sobre personagens de tiras, que eu proponho aos artistas para trabalharem em uma história de três a cinco páginas.

Onde pretendo trabalhar com autores nacionais; Assim, aqueles personagens que vemos em curtas situações, aparecem em histórias de enredo mais elaborado, o que pode ser benéfico ou um pouco difícil para o autor, mas de qualquer forma é uma boa experiência.

Contos Tristes, que são histórias sobre mortes onde conto com várias participações de artistas, como Elza Keiko (Mythos Editora), Amanda Grazzini, que é muito promissora, FAT (revista Quase), Genildo (jornal A GAZETA) e mais algumas parcerias que faltam firmar.Além de uma história do Tristão, uma pequena coletânea de histórias que saíram no jornal Notícia Agora-ES.

ZB: Conta um pouco da primeira edição.

Estevão: A primeira edição contou com Milson Henriques (Criador da personagem Marly) e Alpino (Criador da Luzia). O caso de Alpino é interessante, pois ele aposentou a Luzia, personagem que leva o nome de sua mulher que saía apenas em um jornal no Brasil e começou a escrever sobre a Samanta, que por sua vez, recebe o nome de sua filha, que já está em seis jornais em 4 meses de publicação em todo o Brasil.

 

Bem +Que Tiras 1

Pagina interna

ZB: Você disse como foi a criação do Tristão, mas esqueceu de dizer em que ano ele foi criado.

Estevão: Ele foi criado pouco antes de ser publicado no NA, creio que em novembro de 1999.

ZB: Legal, Como foi o processo para a publicação da historia do Tristão pela Grafhic Talents?

Estevão: Nós tínhamos acabado de sair do Notícia Agora (julho de 2001) e eu estava começando a ministrar oficinas de hqs (daí o nome) e eu enviava as nossas histórias antigas para todos os colunistas da revista Comix. Quando eles estavam para lançar o projeto GT, eu fui convidado antes mesmo do projeto ser divulgado nos sites de quadrinhos. A proposta deles foi de eu mandar o material que eu já tinha...Mas eram histórias curtas. Daí eu escrevi uma trama (nunca eu havia feito algo tão difícil, pois eu escrevia histórias de, no máximo 12 páginas) e mandamos para eles.

ZB: No fim da historia a uma dedicatória a Renata, quem é?

Estevão: Hoje é a minha esposa. Estamos juntos a quatro anos e meio, dois anos e meio de casados. Ela era uma das poucas pessoas que acreditavam que eu conseguiria publicar uma revista com distribuição para todo o Brasil.

Revista lançada pela Grafic Talents

ZB: E conseguiu mesmo, graças a Deus.Quais são suas influencias nas Hqs?

Estevão: Sabe que eu não tenho muito disso? Não guardo nomes, nem estilos, mas se tenho que dizer alguém, eu digo Jim Lee e Alan Moore. Um cara que me surpreendeu totalmente aqui no Brasil foi o Marcelo Cassaro.

Se eu pudesse ser multimídia, gostaria de ser Marcelo Cassaro.

ZB: Por que exatamente?

Estevão: Por que o cara não é exatamente bom no que faz, mas faz de tudo um pouco e acerta na maioria das vezes. Os projetos anteriores, aquele lance de Capitão Ninja foi algo que eu não gostei, mas Holy Avenger e seus filhos são sucessos que torna qualquer coisa no passado desse indivíduo perdoável. Eu o admiro muito.

ZB: È verdade. Ele poderia ser considerado seu artista Nacional preferido ou haveria algum outro?

Estevão: Não, seria uma injustiça com os outros. Ele é o mais multimídia, mas em questão de qualidade, temos o Cariello, o pessoal da Fábrica de Quadrinhos, Marcelo Campos, o Jean Diaz (primeiro capixaba que está desenhando para o exterior...)...

ZB: Quais os Quadrinhos que você curte no momento?

Estevão: Tenho acompanhado a Liga da Justiça, pegado algumas edições especiais, X-men, a revista Quase e outras.

ZB: Qual a melhor Hq que você já leu?

Estevão: Não dá para dizer a melhor, pois cada uma tem um valor específico: Deus, de Laerte; Crise nas Infinitas Terras (apesar de eu ter me esquecido como é, mas lembro que gostei muito).

A Liga de Cavalheiros Extraordinários (encadernação nº 1)

ZB: Só coisa boa. E quais fanzines seriam leituras obrigatórias para todo “fanzineiro"?

Estevão: Eu lhe serei multo sincero. Li poucos zines na vida, mas qualquer pessoa que queira conhecer a essência de um zine deve ler o Q.I. - Quadrinhos Independentes. Blábláblá! Que novidade eu falei! Mas Edgard Guimarães é leitura obrigatória, e pronto!

ZB: Falou tudo! (risos) Qual seu personagem de Hqs predileto?

Estevão: Batman, mas quando ele está na Liga da Justiça. Gosto do destaque que ele ganha quando está com poderosos e os artifícios que os roteiristas arrumam para equilibrar as forças, tanto nas hqs quanto na série animada.

ZB: Roteirista e Desenhista que gostaria de trabalhar?

Estevão: Como eu não desenho, gostaria de trabalhar com desenhistas. Gostaria de ter uma história ilustrada por Jim Lee, Roger Cruz, Cariello, Ivan Reis, Mark Bagley, Mike Deodato, Emir Ribeiro, André Vázzios,  e a lista não pára.

ZB: Para você como esta o Mercado Brasileiro de Quadrinhos?

Estevão: Defina "Mercado Brasileiro de Quadrinhos". Não existe. Existe o "Mercado de Ilustradores Brasileiros de Quadrinhos". Quem faz quadrinhos NO Brasil PARA o Brasil não depende disso para viver. Quem desenha para o exterior SIM, quem dá aula de quadrinhos, SIM, mas quem faz quadrinhos por aqui, ou trabalha para a Maurício de Souza Produções ou faz com o coração. É muito mais fácil se ganhar dinheiro com animação do que quadrinhos no Brasil.

ZB: È a infeliz realidade. Foi bom notar que o Brasil ganhou de 6x2 no que se refere aos desenhistas que gostaria de trabalhar (risos).

Qual o recado que você dar aos iniciantes que sonham em ganhar a vida fazendo quadrinhos,

Estevão: Vocês têm três escolhas: 1 - Façam um bom curso de quadrinhos e se arrume com um agenciador; 2 - Dediquem-se à ilustração, trabalhem para um jornal ou agência. 3 - Desistam de quadrinhos e pulem para a próxima fase: animação.

ZB: Como os interessados podem encontrar trabalhos de sua autoria?

Estevão: Bem, como eu disse anteriormente, estou preparando um almanaque com os materiais publicados no Notícia Agora. Pretendo terminá-lo em agosto. Quem quiser mais informações é só mandar um e-mail para: oficinahq@hotmail.com

ZB: você estaria aceitando novos desenhistas para desenhar suas historias?

Estevão: Sim, com certeza. Eu até estou preparando um projeto para divulgar nas listas especializadas, mas em caráter de parceria. Geralmente eu consigo apoio apenas para publicar o material, então eu pago o colaborador em revistas.

ZB: bem fica o avio aos interessados. Qual frase preferida você deixa para "meditação" dos nossos leitores?

Estevão: "Esse é o meu lugar!”.

Isso é o que eu falo quando eu olho para algo que eu cobiço ou que eu alcanço.

ZB: legal, valeu pela entrevista, espero que possamos fazer outra quando seus trabalhos forem publicados.

Estevão: Tomara, cara Michelle, tomara.

 GALERIA: Personagens de Estevão Ribeiro.Ilustração de Amaury Ploteixa, colorização de Estevão.

·     Todos personagens fazem parte do universo do personagem Tristão.

Tristão, criado em 1999.

Mais dadoshttp://fotolog.terra.br/zinebrasil:3

Elisa, Falecida esposa do Tristão.

Aparece em seus sonhos ajudando-o a manter a sanidade.

Coração Partido, Josimery Santini é perdidamente apaixonada por Tristão.

Mas fatos sórdidos a transformaram em uma maquina de guerra mortal.

O Padre. Alexandre Morate, ex-padre leva a redenção aos pecadores à bala, (risos).

Apesar de não gostar dos métodos usados por Tristão são bons amigos.

Uzi, ex-mascara branca e ex-integrante da Máfia Vermelha.

Andréa Maria sempre foi uma pedra no sapato de Tristão.

 Eterna rival quando ambos integravam os Mascaras Brancas.

Rivalidade essa que continua firme e forte.

Beijão! Por Michelle Ramos. michellerbarbosa@ig.com.br

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